Dados apontam avanço da supressão no Pantanal, apesar de queda do desmatamento em outros biomas

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Dados consolidados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em dezembro de 2025, revelam que a supressão de vegetação nativa diminuiu na maior parte dos biomas brasileiros em 2024. As informações fazem parte do sistema de Monitoramento Anual da Supressão de Vegetação Nativa (PRODES) e integram a série histórica oficial utilizada para avaliar a dinâmica do desmatamento no país. Os números completos estão disponíveis no portal TerraBrasilis.

Embora se refiram a 2024, os dados recém-consolidados são estratégicos para a análise de tendências de médio e longo prazo e servem de base para a avaliação da eficácia das políticas públicas ambientais em curso.

O destaque negativo do levantamento é o Pantanal, que apresentou o maior crescimento proporcional da supressão de vegetação nativa entre todos os biomas monitorados. Em 2024, foram registrados 842,44 km² de áreas suprimidas, um aumento de 16,5% em relação a 2023, quando o índice foi de 723,13 km². O resultado acende um alerta para o bioma, considerado um dos mais biodiversos do planeta e extremamente sensível a alterações ambientais.

Enquanto isso, outros biomas apresentaram redução significativa. Na Amazônia, a supressão de vegetação florestal caiu 28,09% entre 2023 e 2024. Já no Cerrado, a redução foi de 25,76% no mesmo período. Nas áreas de vegetação não florestal da Amazônia, o desmatamento somou 554,04 km² em 2024, representando uma queda de 5,27% em comparação ao ano anterior.

A Mata Atlântica alcançou um marco positivo: com 475,18 km² de supressão em 2024, o bioma registrou uma redução de 37,89% em relação a 2023, alcançando o menor valor desde o início da série histórica do PRODES, em 2001. Situação semelhante foi observada no Pampa (Campos Sulinos), que teve 523,14 km² de áreas suprimidas, uma diminuição de 20,08%, também o menor índice desde o começo do monitoramento.

Em sentido oposto à tendência nacional, além do Pantanal, a Caatinga apresentou aumento da supressão de vegetação nativa. Em 2024, o bioma perdeu 3.484,37 km², crescimento de 9,93% em relação ao ano anterior.

Para a vice-coordenadora do Programa BiomasBR, Silvana Amaral, os resultados reforçam a importância do monitoramento contínuo realizado pelo INPE. Segundo ela, a redução do desmatamento na maioria dos biomas evidencia a efetividade de políticas públicas de comando e controle, além de acordos e instrumentos regulatórios firmados entre o poder público, a sociedade civil e setores produtivos.

Apesar do cenário geral positivo, o avanço da supressão no Pantanal demonstra que os desafios permanecem. Especialistas alertam que o bioma exige ações específicas e integradas de conservação, considerando suas particularidades ecológicas e a crescente pressão antrópica.

Os dados consolidados de 2024 também dialogam com levantamentos mais recentes do PRODES, que indicam nova redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado em 2025, reforçando a tendência de desaceleração nacional, mas sem perder de vista a urgência de proteger biomas mais vulneráveis, como o Pantanal.

Nota técnica

PORTAL PANTANAL OFICIAL

Fonte: INPE

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