O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima publicou, na última sexta-feira (26), uma portaria que estabelece um cronograma de estado de emergência ambiental em diversas regiões do país para prevenir e combater incêndios florestais em 2026. A medida concentra atenção especial em Mato Grosso do Sul, sobretudo no Pantanal sul-mato-grossense, diante de um cenário climático considerado preocupante.
De acordo com a portaria, o período de emergência no Pantanal de Mato Grosso do Sul se estenderá de abril a dezembro de 2026. A decisão leva em conta os impactos do fenômeno El Niño, que tende a provocar temperaturas mais elevadas e irregularidade no regime de chuvas, fatores que ampliam significativamente o risco de queimadas.
Apesar de o Brasil ter registrado uma redução de 36% na área total queimada em janeiro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o cenário no Pantanal segue na contramão. Segundo dados do Monitor do Fogo do MapBiomas, o bioma teve aumento de 323% na área atingida pelo fogo no primeiro mês do ano, totalizando 38 mil hectares queimados. Com isso, o Pantanal aparece como o segundo bioma mais impactado do país no período, atrás apenas da Amazônia. Em todo o território nacional, foram registrados 437 mil hectares queimados em janeiro.
A portaria é assinada pela ministra Marina Silva e também define períodos de emergência para outras regiões de Mato Grosso do Sul. Nas áreas Centro-Norte e Sudoeste do estado, o alerta valerá de abril a novembro de 2026. Já na porção Leste, a vigência será de março a novembro.
Além do Pantanal, o impacto do El Niño deve elevar o risco de incêndios em outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica, com reflexos diretos em Mato Grosso do Sul. A combinação de calor intenso e chuvas irregulares reforça a necessidade de ações preventivas, mobilização de equipes e fortalecimento da fiscalização ambiental ao longo do ano.
Foto: Portal Pantanal Oficial



